Eu me considero uma pessoa muito visual. Para tudo que quero aprender ou lembrar procuro por referências visuais para imaginar. Acho que muitos de nós aprendemos a tocar um instrumento desta forma, especialmente no violão ou piano, tentamos lembrar onde nossos dedos devem ir e com base nisso podemos tocar uma melodia em nosso instrumento, eu chamo de “Coreografia de dedo”.

Não há nada de errado em aprender a tocar desta forma, porém, com o passar do tempo, torna-se um hábito inevitável pensar em fórmulas ou talvez na posição dos dedos para tocar uma melodia, acordes e se deve ser maior ou menor.

Quem não improvisou em uma faixa ou faixa de fundo e ficou sem ideias para continuar tocando? Você fica em branco e não sabe mais o que fazer, você gastou seus recursos mais usados ​​como a escala maior e a escala pentatônica. Como isso é possível? A imaginação é infinita, então a pessoa deve ser capaz de tocar o instrumento e tocar e continuar tocando por horas sem ficar em branco.

Certa vez em uma oficina de improvisação musical dirigida pelo professor de violão Andrés Prado, ele explicou que muitos músicos estão desconectados do nosso instrumento, tocando melodias que partem de uma fórmula ou de uma posição de escala e não da nossa mente, isso ele chamou “Tocando os dedos para fora”.

Essa expressão me marcou muito, pois entendi bem ao que ele se referia. Não só você tem a possibilidade de que seu solo de guitarra ou qualquer instrumento soe mais melódico e ótimo, mas Andrés também o leva a um nível espiritual, no qual explica que, ao se deixar levar por uma melodia que você criou em sua cabeça, é algo mais orgânico e real que vem de você, é algo único e original que nasce naquele momento e naquele lugar.

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Um único som que você faz ou ouve deve levá-lo a um grande número de possibilidades sonoras em sua mente. Então, o ponto do Andrés estava claro, tínhamos que começar de dentro, fazer melodias internas, para que pudéssemos usar o nosso instrumento como meio de comunicação.

O que devo fazer para conseguir isso?

1) Em primeiro lugar, devemos ser capazes de ouvir as melodias em nossa cabeça, imaginar ou cantarolar mentalmente uma música que gostamos (tanto rítmica quanto melodicamente).

2) Assim como podemos ouvir aquela melodia em nossa cabeça, devemos ser capazes de variar e mudar, aumentando ou abaixando algumas notas em nossa mente.

3) Por sermos capazes de mudar mentalmente alguma parte de uma música, pode-se dizer que já podemos criar outras melodias, uma vez que já adicionamos algo nosso.

4) Depois de fazer isso, devemos ser capazes de cantar ou pelo menos cantarolar as melodias que temos em mente (seja uma melodia de uma música ou uma que lhe ocorreu na época).

O último é difícil para algumas pessoas. Pode ser por constrangimento ou também porque nunca experimentaram, ou mesmo alguns podem precisar exercitar um pouco a audição e afinação

Portanto, devemos entender que todo músico deve ser capaz de cantar suas idéias. Não estou dizendo que todos devam ter uma técnica vocal, mas essa experiência de poder criar e cantar uma melodia que vem à sua mente é espetacular e necessária.

Então, não preciso aprender escalas ou teoria para ser um grande improvisador?

Para ser totalmente honesto, não. Você pode improvisar mesmo com a tensão de um elástico, pode simplesmente puxá-lo para cima para tocar notas altas e soltá-lo para ir para o baixo e tocar esses sons, ou podemos até mesmo criar uma melodia batendo em alguns copos que soam em tons diferentes. A questão é que, conhecendo a teoria, você tem um poder adicional, pode criar coisas incríveis e malucas usando a teoria como recurso.

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Mas a ideia essencial é trazer para fora uma melodia criada em nossa mente usando nosso instrumento como meio de comunicação.

E como vou utilizar meu instrumento como meio de comunicação, se não conheço suas funções e suas técnicas corretas para poder dominá-lo completamente?

Para poder fluir em seu instrumento é extremamente necessário conhecê-lo, saber quais são suas vantagens, quais são seus pontos fracos e tentar garantir que estes não sejam um obstáculo em sua arte, devemos nos conectar com nosso instrumento. Desenvolver a paixão pela prática é o ideal, devemos ser minuciosos nos detalhes de nossa técnica.

Ousaria até dizer que uma prática mecânica é o melhor para a mão aprender o que você está estudando. Querer improvisar e não praticar seu instrumento a fundo é como querer fazer um discurso sem conhecer muitas palavras do vocabulário.

Então, o que devo fazer para improvisar melhor?

Acho que deve haver um equilíbrio. Conhecer a teoria e se aperfeiçoar em seu instrumento é incrivelmente produtivo, porém, o problema é desenvolver o péssimo hábito de tocar sempre de forma mecânica, se deixar levar apenas pelas escalas e posições dos dedos que você lembra, e deixar completamente de lado o “ouça ”, não só o que pode estar na sua cabeça, mas nem mesmo ouvir o que você está tocando naquele momento.

A música é muito mais do que fórmulas e escalas. Quem se autodenomina “músico” deve internalizar a música, sentir todas as sensações que cada acorde e cada harmonia produz. Isso é algo que podemos perceber ao assistir a um filme ou série, a grande maioria das produções audiovisuais possui trilhas sonoras ou música de fundo, que indicam a sensação ou sentimentos que o personagem pode estar sentindo, nos colocando no seu lugar.

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Sempre podemos identificar quando uma cena é alegre, triste, engraçada ou cheia de suspense. Devemos aprender a fazer isso com as canções também.

Acredito firmemente que a ideia é fluir livremente com o seu instrumento como se fosse uma conversa. Sempre há algo a dizer, sempre há alguma melodia para tocar.

Devemos sentir a música de dentro e comunicá-la por meio de nosso instrumento, só então podemos sentir, e talvez compreender, seu poder.

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Fotografia: Freestocks